
Embarcar na Caminho de Santiago é uma experiência transformadora, uma viagem que vai muito além do simples ato de caminhar. E entre todas as rotas jacobeias que serpenteiam pela Península Ibérica, existe uma que se destaca pela sua monumentalidade, pela sua profunda herança histórica e pela sua serena beleza: a Via de la Plata.
Este lendário itinerário começa na Andaluzia e estende-se até ao túmulo do Apóstolo. É uma imersão nas raízes da Hispânia, um percurso por uma antiga estrada romana que estruturou o oeste de Espanha durante mais de dois milénios.
Se procura uma forma diferente de viver esta experiência, afastado das multidões mas sem abdicar do conforto e de uma organização impecável, chegou ao sítio certo. Este guia está desenhado para o peregrino do século XXI que deseja conhecer as diferentes rotas do Caminho de Santiago com a segurança de ter os melhores alojamentos, transporte de bagagem garantido e toda a logística resolvida.
Antes de continuar, advertimos que a Via de la Plata como tal não é trabalhada pela Mundiplus. O nosso serviço, se desejar, limita-se à parte final, que corresponde ao Caminho Sanabrés.
Índice de contenidos
Uma viagem pela história: o que é realmente a Via de la Plata?

A primeira coisa que surpreende na Via de la Plata é o seu nome. Apesar do que sugere, esta rota nunca foi um trajeto destinado ao comércio de prata. A sua denominação é, na realidade, fruto de uma fascinante evolução fonética. Durante a época andalusí, os árabes referiam-se a esta estrada como al-Balat (o caminho empedrado), um termo que, com o passar dos séculos e a reconquista cristã, derivou na palavra “Plata” que conhecemos hoje.
A verdadeira origem deste itinerário remonta ao Império Romano. Foi concebida como uma estrada que ligava Augusta Emerita (Mérida), capital da Lusitânia, a Asturica Augusta (Astorga), no norte. O seu traçado permitiu durante séculos o movimento de legiões, mercadorias e cultura, consolidando o domínio romano no oeste da Hispânia. Caminhar por ela é, literalmente, pisar a mesma terra que pisaram imperadores, soldados e cidadãos romanos há dois milénios.
Com a queda do Império e a chegada da Idade Média, a Via de la Plata não perdeu a sua relevância. Pelo contrário, foi reinventada. À medida que o culto ao Apóstolo Santiago crescia, os peregrinos do sul da península e do norte de África começaram a utilizar esta antiga infraestrutura para dirigir os seus passos até Compostela. Transformaram uma via militar e comercial numa rota de fé e espiritualidade.
O itinerário
A Via de la Plata divide-se normalmente em etapas entre 20 e 35 km (embora algumas sejam mais longas). A seguir tem um esquema claro e realista do troço que faltava: de Zafra até Ourense e, já na Galiza, as últimas etapas do Caminho Sanabrés de Ourense até Santiago.
De Sevilha a Ourense
- Sevilha → Guillena (22,7 km)
- Guillena → Castilblanco de los Arroyos (18,2 km)
- Castilblanco de los Arroyos → Almadén de la Plata (28,2 km)
- Almadén de la Plata → Monesterio (33,6 km)
- Monesterio → Fuente de Cantos (20,7 km)
- Fuente de Cantos → Zafra (24,2 km)
- Zafra → Villafranca de los Barros (19,8 km)
- Villafranca de los Barros → Torremejía (26,7 km)
- Torremejía → Mérida (15,3 km)
- Mérida → Alcuéscar (35,9 km)
- Alcuéscar → Cáceres (37,4 km)
- Cáceres → Barragem de Alcântara (34,5 km)
- Barragem de Alcântara → Grimaldo (20,3 km)
- Grimaldo → Carcaboso (30,2 km)
- Carcaboso → Aldeanueva del Camino (38,3 km)
- Aldeanueva del Camino → La Calzada de Béjar (21,8 km)
- La Calzada de Béjar → Fuenterroble de Salvatierra (20,2 km)
- Fuenterroble de Salvatierra → San Pedro de Rozados (27,9 km)
- San Pedro de Rozados → Salamanca (23,6 km)
- Salamanca → El Cubo del Vino (36,4 km)
- El Cubo del Vino → Zamora (31,6 km)
- Zamora → Montamarta (19,2 km)
- Montamarta → Granja de Moreruela (22,6 km)
- Granja de Moreruela → Tábara (25,1 km)
- Tábara → Santa Marta de Tera (22,9 km)
- Santa Marta de Tera → Mombuey (36,1 km)
- Mombuey → Puebla de Sanabria (31,7 km)
- Puebla de Sanabria → Lubián (28,1 km)
- Lubián → A Gudiña (23,7 km)
- A Gudiña → Laza (34,0 km)
- Laza → Xunqueira de Ambía (33,0 km)
- Xunqueira de Ambía → Ourense (21,8 km)
Últimas etapas: Caminho Sanabrés de Ourense até Santiago
- Ourense → Cea (22,3 km)
- Cea → Estação de Lalín (27 km)
- Estação de Lalín → Silleda (15,7 km)
- Silleda → Ponte Ulla (19,7 km)
- Ponte Ulla → Santiago de Compostela (21 km)
Qual é a melhor época para percorrê-la?
Para desfrutar da Via de la Plata no seu esplendor, as estações intermédias são, sem dúvida, a melhor escolha.
- Primavera (abril a junho): é a época ideal. Os campos estão em plena floração, as temperaturas são suaves e os dias longos convidam a caminhar sem pressa. A Extremadura e Castilla vestem-se de um verde intenso que o cativará.
- Outono (setembro a outubro): oferece uma luz mágica e temperaturas muito agradáveis. As cores ocres tingem as paisagens, criando uma atmosfera nostálgica e serena. Além disso, a afluência de peregrinos é menor do que na primavera, garantindo maior tranquilidade.
O verão, especialmente julho e agosto, é muito quente no sul e na meseta, com temperaturas que podem superar os 40°C. Apenas é recomendável para peregrinos muito preparados ou se se planear caminhar exclusivamente durante as primeiras horas da manhã, algo que uma boa organização facilita enormemente.
O percurso mais detalhado: um mosaico de paisagens e culturas
Com quase 1.000 quilómetros de Sevilha a Santiago, a Via de la Plata é uma viagem de longa duração que atravessa quatro comunidades autónomas e uma surpreendente diversidade de paisagens e culturas.
Andaluzia e Extremadura: o legado de Roma

O caminho nasce aos pés da Giralda, em Sevilha, e entra rapidamente na paisagem andaluza à procura das dehesas da Estremadura. Esta primeira parte é um verdadeiro museu a céu aberto. Passarás pelas ruínas de Itálica, berço de imperadores, e mergulharás num horizonte de sobreiros e carvalhos. As grandes joias deste trecho são, sem dúvida, as cidades Património da Humanidade:
- Mérida: a antiga Augusta Emerita deixará-te sem fôlego. O seu teatro e anfiteatro romanos, o templo de Diana, a ponte sobre o Guadiana e o majestoso Aqueduto dos Milagres são paragens obrigatórias.
- Cáceres: a sua cidade monumental é um dos conjuntos urbanos medievais e renascentistas melhor conservados do mundo. Perder-se pelas suas ruas de calçada, palácios e torres é como viajar no tempo. Outro marco imprescindível é o Arco de Cáparra, um singular arco romano de quatro faces que se ergue, solitário e evocador, no meio do campo. É um dos símbolos mais icónicos desta rota.
Castela e Leão: a planície infinita e as Cidades Douradas

Ao deixar para trás a Estremadura, a paisagem transforma-se. Entramos na vasta planície de Castela e Leão. Aqui, o percurso torna-se mais austero, mas não menos fascinante. Os horizontes infinitos e os céus imensos convidam à meditação enquanto avanças rumo a cidades carregadas de história e arte.
- Salamanca: a cidade universitária por excelência recebe-te com o esplendor da sua pedra dourada de Villamayor. A sua Plaza Mayor, considerada uma das mais bonitas de Espanha, as suas duas catedrais (a Velha e a Nova) e o seu ambiente vibrante são um presente para o peregrino.
- Zamora: conhecida como “a capital do Românico”, esta cidade à beira do Douro possui uma das maiores concentrações de igrejas deste estilo na Europa. A sua catedral, com a singular cúpula bizantina, é uma joia arquitetónica.
A Encruzilhada: Astorga ou o Caminho Sanabrés
Ao chegar à localidade de Granja de Moreruela, na província de Zamora, a Via da Prata depara-se com uma bifurcação histórica. Aqui, o peregrino deve tomar uma decisão importante:
- Continuar rumo a Astorga: esta é a rota romana original, que segue para norte para se unir ao Caminho Francês em Astorga. A partir daí, partilha o trajeto com a rota mais popular até Santiago. É uma opção interessante se quiseres experienciar o ambiente do Caminho Francês, embora represente desviar-se do espírito mais solitário da Via.
- Tomar o Caminho Sanabrés: esta é a opção que a maioria dos peregrinos escolhe atualmente e a que na Mundiplus conhecemos e trabalhamos em profundidade. Desvia-se para oeste, em direção à Galiza, através da comarca de Sanabria. É a continuação natural do espírito da Via da Prata: paisagens espetaculares, tranquilidade e uma forte autenticidade.
O Caminho Sanabrés: a porta de entrada para a magia da Galiza

Como mencionamos, na Mundiplus especializámo-nos no seu trecho mais espetacular e procurado: o Caminho Sanabrés. Acreditamos que oferece a quintessência da peregrinação, condensando nas suas últimas etapas a beleza e a espiritualidade que todo peregrino procura.
Oficialmente em Granja de Moreruela (o nosso serviço inicia-se em Ourense) e mergulha-te numa paisagem que é pura natureza. O ponto alto deste trecho é o Parque Natural do Lago de Sanabria, o maior lago de origem glacial da Península Ibérica. As suas águas cristalinas e as florestas que o rodeiam criam um ambiente de paz arrebatadora.
Após atravessar as montanhas que separam Castela e Leão da Galiza, entrarás na província de Ourense. Esta cidade, famosa pelas suas águas termais (com as burgas no centro histórico), é um ponto de partida perfeito para quem dispõe de menos tempo mas não quer renunciar à experiência jacobeia. A partir daqui, apenas cerca de 100 km separam-te de Santiago, a distância mínima para obter a Compostela.
O trecho final é um delicioso percurso pela Galiza rural, salpicado de carballeiras (carvalhais), pontes medievais, aldeias de pedra e os icónicos cruceiros que marcam o percurso. É um final de viagem que te conecta com a Galiza mais autêntica antes da emocionante chegada à Praça do Obradoiro.
O que a Mundiplus oferece no Caminho Sanabrés?
Na Mundiplus especializámo-nos em oferecer uma experiência completa e sem preocupações no Caminho Sanabrés, de Ourense a Santiago.
Ajudamos-te a percorrer as últimas 5 etapas (aproximadamente 100 km) em 6 noites, com tudo incluído: alojamentos selecionados com encanto, pequenos-almoços, transporte de bagagem entre etapas, seguro de viagem, assistência telefónica 24h e, claro, a credencial do peregrino. É a forma perfeita de viver a essência desta rota sem renunciar ao conforto.
Conselhos práticos para percorrer a Via da Prata
Antes de calçares as botas e lançares-te na aventura, é fundamental ter em conta alguns aspetos práticos que tornarão a tua experiência muito mais agradável. A Via da Prata, pela sua extensão e características, exige uma preparação específica que difere de outros percursos mais curtos ou concorridos.
Preparação física: um desafio acessível
Não é necessário ser um atleta de elite para completar este caminho, mas é recomendável chegar com uma base física sólida. As etapas são longas (muitas ultrapassam os 30 km) e o terreno, embora maioritariamente plano, pode ser exigente sob o sol da Estremadura ou de Castela.
Recomendamos começar a treinar pelo menos dois ou três meses antes da partida, realizando caminhadas progressivas que simulem as condições do caminho. Começa com 10-15 km e vai aumentando gradualmente até alcançar os 25-30 km com a mochila carregada.
A bagagem: menos é mais
Uma das grandes vantagens de viajar com um serviço organizado é que a tua bagagem viaja por ti. Isto significa que podes levar uma mochila de dia leve (máx. 5-8 kg) com o essencial: água, algo de comida, proteção solar, um impermeável e a documentação. O resto da bagagem (roupa de troca, artigos de higiene, etc.) estará à tua espera todas as tardes no alojamento.
Este sistema transforma radicalmente a experiência, permitindo desfrutar do percurso sem o peso exaustivo de uma mochila de 10-15 kg às costas.
A Credencial do Peregrino
Para obter a Compostela ao chegar a Santiago, precisarás da credencial do peregrino devidamente carimbada. Neste caso, por ser um caminho com mais de 100 km a pé, serão necessários pelo menos dois carimbos por dia nas últimas etapas.
A credencial pode ser obtida na catedral de Sevilha, nas paróquias do caminho, nos albergues ou através de associações jacobeias. Na Mundiplus facilitamos a credencial como parte do serviço, garantindo que chegues a Santiago com toda a documentação em ordem.
Gastronomia do caminho: um banquete para os sentidos
Percorrer a Via da Prata é também uma viagem gastronómica de primeira classe. Cada região que atravessas tem a sua própria identidade culinária, e seria um pecado não te deixares seduzir por ela.
- Na Estremadura, não podes perder o presunto ibérico de bellota, a torta do Casar (um queijo cremoso de sabor intenso), as migas extremeñas ou o gazpacho.
- Em Castela e Leão, os assados de cordeiro e leitão são lendários, assim como os enchidos da zona de Guijuelo.
- Já na Galiza, o polvo à feira, o lacón com grelos, a empanada e os mariscos frescos aguardam-te como recompensa final.
E, claro, os vinhos: desde os tintos do Ribera del Duero até aos brancos galegos como o Godello ou o Albariño.
Um caminho para cada peregrino
A Via da Prata e a sua continuação pelo Sanabrés oferecem uma flexibilidade que poucas rotas têm. Podes propor-te o desafio de percorrê-la completa durante mais de um mês, ou escolher os trechos que mais te atraem. Para um peregrino que procura uma experiência organizada, confortável e culturalmente enriquecedora, opções como começar em cidades-chave (Salamanca, Zamora ou, especialmente, Ourense) são perfeitas.
Na Mundiplus oferecemos a possibilidade de viver esta aventura sem preocupações. Se te atrai a ideia de um caminho histórico, monumental e tranquilo, encorajamos-te a explorar as opções que o Caminho Sanabrés coloca ao teu alcance. É a forma perfeita de culminar a lendária Via da Prata e chegar a Santiago com a alma renovada.
Lembra-te que, embora esta rota seja mais exigente em termos de distância e duração do que outros caminhos como o Caminho do Norte de Gijón a Ribadeo, o Caminho Francês de Logroño a Burgos ou o Caminho Francês de Burgos a León, a sua riqueza histórica e paisagística tornam-no numa verdadeira joia por descobrir. Estás preparado para seres um dos sortudos peregrinos que percorrerão a antiga estrada romana em 2026?.





