{"id":115451,"date":"2023-02-09T09:53:46","date_gmt":"2023-02-09T09:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mundiplus.com\/bordao-e-cabaca-de-peregrino\/"},"modified":"2023-02-09T09:53:46","modified_gmt":"2023-02-09T09:53:46","slug":"bordao-e-cabaca-de-peregrino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mundiplus.com\/pt-pt\/blog\/bordao-e-cabaca-de-peregrino\/","title":{"rendered":"Bord\u00e3o e caba\u00e7a de peregrino"},"content":{"rendered":"<p>Quando falamos de <a href=\"https:\/\/www.mundiplus.com\/pt-pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viagens ao Caminho de Santiago organizado<\/a>, s\u00e3o muitos os sinais, s\u00edmbolos, tradi\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias que giram \u00e0 volta destas rotas. Se olharmos para tr\u00e1s e pensarmos nos s\u00e9culos da sua exist\u00eancia, podemos concluir que alguns distintivos fazem parte do seu folclore.<\/p>\n<p>Entre todos os s\u00edmbolos e sinais do Caminho de Santiago, h\u00e1 alguns que se destacam mais do que outros. Possivelmente, isto deve-se \u00e0 hist\u00f3ria que existe por tr\u00e1s deles ou \u00e0 import\u00e2ncia que tiveram na sua altura. Alguns dos melhores exemplos s\u00e3o <strong>o bord\u00e3o e a ab\u00f3bora<\/strong> e, nas linhas seguintes, vamos falar sobre eles.<\/p>\n<h2><span style=\"color: #000000;\"><strong>Por que raz\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o importantes o bord\u00e3o e a ab\u00f3bora?<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>Como j\u00e1 dissemos, existem muitos sinais. No entanto, o bord\u00e3o e a ab\u00f3bora t\u00eam uma import\u00e2ncia especial. Isto deve-se ao facto de, apesar de serem dos mais antigos, ainda se manterem em vigor. Embora o uso n\u00e3o seja o mesmo que h\u00e1 s\u00e9culos atr\u00e1s, eles <strong>podem ser vistos como \u00edcones da peregrina\u00e7\u00e3o e est\u00e3o presentes em todas as lojas de recorda\u00e7\u00f5es, <\/strong>sobretudo se fizeres, por exemplo, <a href=\"https:\/\/www.mundiplus.com\/pt-pt\/caminos\/a-pie\/camino-frances\/camino-de-santiago-desde-sarria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o Caminho de Sarria a Santiago<\/a>.<\/p>\n<p>Os seus usos estavam diretamente <strong>relacionados com o bem-estar do peregrino durante o caminho<\/strong>. Em ambos os casos, o objetivo era proporcionar mais conforto e tornar o percurso muito mais pr\u00e1tico. Lembra-te que, no in\u00edcio, n\u00e3o desfrutavam das comodidades que existem hoje em dia.<\/p>\n<h3><strong>O Bord\u00e3o: para que serve, qual \u00e9 o seu significado e como escolhe-lo<\/strong><\/h3>\n<p>O bord\u00e3o ou bast\u00e3o \u00e9 uma vara de madeira com determinado espessura. <strong>\u00c9 utilizado como apoio para caminhar, <\/strong>especialmente nos caminhos \u00edngremes, como subidas ou declives, oferecendo apoio aos joelhos dos peregrinos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um apoio, quando os peregrinos se deparavam com ribeiros ou charcos, ajudava a dar o impulso necess\u00e1rio para ultrapass\u00e1-los facilmente. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m servia como <strong>arma defensiva<\/strong>, tanto contra ladr\u00f5es ou malfeitores que se cruzavam pelo caminho, como contra alguns animais selvagens (geralmente c\u00e3es).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ajudava a carregar os mantimentos, tanto de comida como de l\u00edquidos para o caminho, atados na parte superior.<\/p>\n<p><strong>Com uma forma longa e reta, a sua altura costumava ultrapassar o ombro de quem o transportava,<\/strong> embora atualmente n\u00e3o tenha a mesma extens\u00e3o. Relativamente \u00e0 ponta ou parte superior, em geral, era rematado por uma esfera ou por uma esp\u00e9cie de moldura de forma circular, mais espessa no centro. A parte inferior terminava em ponta.<\/p>\n<p>Segundo os historiadores, a palavra bord\u00e3o tem origem no franc\u00eas antigo, onde significa lan\u00e7a. Foi um emblema entre os peregrinos desde os primeiros que iniciaram a rota. Inclusive, o Ap\u00f3stolo Santiago utilizava-o nas suas miss\u00f5es de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os s\u00e9culos XI e XIX, foi talvez o per\u00edodo em que mais se viu os peregrinos a us\u00e1-lo. A partir do s\u00e9culo XII, o bord\u00e3o do peregrino passou a fazer parte do <em>C\u00f3dice Calixtino. <\/em>De facto, existem algumas refer\u00eancias que, para essas datas, muitas igrejas e ermidas ao longo do Caminho de Santiago, <strong>os sacerdotes costumavam aben\u00e7o\u00e1-los.<\/strong><\/p>\n<p>Escolher um bord\u00e3o n\u00e3o era uma tarefa simples. Pelo contr\u00e1rio, <strong>era necess\u00e1rio que tivesse uma estrutura de madeira bastante resistente, mas ao mesmo tempo leve.<\/strong> Algo que n\u00e3o se partisse durante o trajeto, mas que n\u00e3o fosse um peso excessivo.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-21942 size-full\" src=\"https:\/\/www.mundiplus.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Preparacion-fisica-para-el-Camino-de-Santiago-scaled-1.jpg\" alt=\"Prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica para o Caminho de Santiago\" width=\"2560\" height=\"1707\" \/><\/p>\n<h3><strong>A ab\u00f3bora: para que serve, qual \u00e9 o seu significado e como escolhe-la<\/strong><\/h3>\n<p>Outro dos s\u00edmbolos incontest\u00e1veis do Caminho de Santiago \u00e9 a <strong>ab\u00f3bora do peregrino<\/strong>. Este \u00e9 um acess\u00f3rio que faz parte do traje tradicional da \u00e9poca medieval, tal como o bord\u00e3o.<\/p>\n<p>Este tipo de ab\u00f3bora, a esp\u00e9cie <em>lagenaria siceraria, <\/em>n\u00e3o \u00e9 precisamente origin\u00e1ria desta zona, sendo que se acredita que chegou \u00e0 Europa atrav\u00e9s das migra\u00e7\u00f5es africanas. No entanto, tem sido utilizada nesta regi\u00e3o desde tempos imemoriais. De facto, o seu cultivo e consumo s\u00e3o t\u00e3o extensos que este fruto \u00e9 propriamente chamado de <em>ab\u00f3bora peregrina. <\/em>Espalha-se desde \u00c1frica at\u00e9 \u00e0 Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Quem se lan\u00e7ava na peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 Santiago de Compostela, <strong>usava-a para guardar \u00e1gua ou vinho<\/strong> e manter-se hidratado durante o caminho.<\/p>\n<p>Para a transformar em recipiente, \u00e9 necess\u00e1rio, em primeiro lugar, esvaziar o seu interior das sementes e depois deixar secar a casca para que endure\u00e7a. O processo de secagem n\u00e3o era propriamente f\u00e1cil, embora existissem dois m\u00e9todos tradicionais.<\/p>\n<ul>\n<li>O primeiro consistia em <strong>enterr\u00e1-las durante v\u00e1rios meses<\/strong>. Este processo era extremamente perigoso, pois muitas vezes se apodreciam debaixo da terra.<\/li>\n<li>O segundo, mais confi\u00e1vel, era <strong>envolv\u00ea-las com pele de cabra<\/strong> e esperar que secassem lentamente. As peles n\u00e3o eram absolutamente necess\u00e1rias. No entanto, por serem t\u00e3o fr\u00e1geis, al\u00e9m de proporcionar calor, tamb\u00e9m ajudavam a proteger as ab\u00f3boras.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Antes de ser usada pelos peregrinos, a ab\u00f3bora era utilizada em tarefas dom\u00e9sticas e agr\u00edcolas, pela sua leveza e utilidade.<\/p>\n<p>A ab\u00f3bora do peregrino \u00e9 formada por duas partes: <strong>a parte inferior larga e a superior estreita<\/strong>. No meio, \u00e9 ligeiramente estreitada e era usada assim para ser amarrada com uma corda \u00e0 cintura dos caminhantes ou a qualquer outra parte da vestimenta.<\/p>\n<p>Apesar de, atualmente, o uso como recipiente para armazenar \u00e1gua ter diminu\u00eddo quase por completo, ainda \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-las \u00e0 venda como recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando falamos de viagens ao Caminho de Santiago organizado, s\u00e3o muitos os sinais, s\u00edmbolos, tradi\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias que giram \u00e0 volta destas rotas. Se olharmos para tr\u00e1s e pensarmos nos s\u00e9culos da sua exist\u00eancia, podemos concluir que alguns distintivos fazem parte do seu folclore. 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